sexta-feira, 4 de junho de 2010

por um instante tudo se esvai
como nuvem levada pelo vento
o vazio, sobressai
e o peito dolorido, não encontra contento


se existe um deus, senhor do universo
porque ele não intercede por nós?


a natureza é tão bonita e perfeita
as pessoas são tão felizes 
eu, nasci com defeito


meu defeito é querer entender
entender e sentir
provar
e trazer à tona o eu único e verdadeiro
buscar o justo e autêntico
o além
o impossível
nem que seja por um instante
Sou latino americana
y yo no me vendo por un espejo

Aqui estou
e não vou
me recuso a vê-la destruída

Ahora es muestra vez
STOP U$

Em meio a imagem instiruída
aglomeram-se os regenerados
pues como es sabido
la revolución no será televisionada
the revolucion will not be on tv
dê revolution uíu nóti bí om dê ti vi
um lugar inventado
            um lugar habitado
                               um lugar

quarta-feira, 2 de junho de 2010



A vida é pouca
O tempo é pouco 
Vem! Antes que acabe.

O urgir do tempo
não nos deixa pensar
não nos deixa viver
não nos deixa respirar

Vem! Abre a gaiola
enche o peito de ar
e grite.
Grite! Para os quatro cantos de si.

Pois o resto, 
O resto está surdo e dorme.
Dorme no sono profundo
imerso na tecnologia.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Um homem com uma câmera,1929

Ainda nos anos 1920, a Rússia também mostrou-se capaz de criar uma escola cinematográfica de vanguarda. O governo apoiava o cinema, pois via nele uma forma eficaz de transmitir suas mensagens, recém saída de uma Revolução, apresentou nomes como Sergei Eisenstein (1898–1948), Vsevolod Pudovkin (1893–1953), Dziga Vertov (1986–1954) que colaboraram no desenvolvimento da linguagem cinematográfica a partir de suas experimentações, a fim de provocar um outro tipo de raciocínio no espectador que o levasse a refletir sob sua condição enquanto parte de uma sociedade.
O Construtivismo Russo alimentava-se da idéia de negação de uma “arte pura”. Segundo eles, as artes deveriam se inspirar nas novas perspectivas trazidas pela industrialização e contribuir para a construção do socialismo. Os principais temas tratados são trabalho e luta operária.
Para Eisenstein (1990a, p. 35), “a cinematografia é, em primeiro lugar e antes de tudo, montagem”.  A arte de montar vai além do trabalho de juntar pedaços de filmes, é o processo do pensar a projeção do sistema dialético das coisas.
“O pensamento humano é montagem e a cultura humana é resultado de um precesso de montagem onde o passado não desaparece e sim se reincorpora, reinterpretado, no presente” (Avellar, 1990a, p.8).

A montagem já existia na pintura, no teatro, na música com Debussy, na prosa com Tolstoi, na poesia de Maiakovski, através dela se forma uma nova idéia a partir de uma fusão/colisão de planos independentes.
Ao buscar a verdade por trás das ações mais corriqueiras da vida, Vertov criou documentários carregados de poesia e lirismo, utilizando seu conhecimento sobre os recursos da montagem cinematográfica.
Segundo Vertov, a introdução da câmera na realidade a ser filmada não deve alterar a composição dessa realidade. Sua teoria do cinema-olho coloca como necessário o registro das imagens sem interferência no comportamento natural dessa realidade. Por isso, ele rotulava os filmes russos da época de "filmes encenados". A encenação para ele era um elemento artificial imposto à natureza daquela realidade, o que destruiría a autenticidade do registro.
Assim, o trabalho de Vertov é uma tentativa de resolução de um conflito entre construção e verdade, ou seja realismos e experimentação. Por um lado, ele se liga ao construtivismo, pelas máquinas e tecnologia; por outro, ele busca uma verdade que não deve sofrer manipulações, ou seja, “pura”.
O próprio título do filme, Um homem com uma câmera,1929, sugere além da  aproximação do homem com a máquina, uma analogia entre eles.
O filme mostra também imagens feitas do alto de edifícios, local onde se tem uma visão mais ampla do que ocorre em uma cidade. Isto impressionou os espectadores devido ao reduzido número de prédios da época.
A complexidade e aceleração do ritmo métrico produz impressão de confusão ao expectador .
Em Um homem com uma câmera, 1929, o giro da manivela da câmera é substituído pelo ruído das rodas de uma locomotiva, estabelecendo uma relação metafórica sonora entre a câmera (meio de expressão), e o trem (meio de transporte)

Referências:
EISENSTEIN, Sergei. A forma do filme; apresentação, notas e revisão técnica, José Carlos Avelar. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed., 2002.
AUMONT, Jacques. A imagem. Lisboa: Edições Texto & Grafia Ltda. , 2005
PALÚ, João Paulo. As relações no processo de montagem cinematográfica entre os filmes   “Um homem com uma câmera” e “Koyaanisqatsi”. São Paulo: UNESP – Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação – Programa de pós-graduação em
Comunicação. Acessado no mês de maio de 2010, disponível em <http://www.faac.unesp.br/posgraduacao/Pos_Comunicacao/pdfs/joaopaulo.pdf>